Depressão: breve introdução sobre a importância do tema

Segundo dados estatísticos da OMS, cerca de 8% da população mundial padece desse mal. No nosso país isso contabiliza, aproximadamente, 12 milhões de brasileiros.

Provavelmente, você já deve ter passado por momentos em que sua própria vida não tinha mais sentido. Vivendo na certeza de que as coisas boas que pudessem existir no mundo, definitivamente, não eram para você! Sentindo-se estagnado, ansioso, sem forças, sem esperança. Momentos em que a dor era tamanha, que imaginou que não suportaria sequer mais um dia!

Apesar da depressão der mais comum do que se pode acreditar (se você, felizmente, não passou por isso, com certeza conhece alguém bem próximo que já tenha passado…) o grau de preconceito e carência de informação por parte do público leigo ainda é assustador!

Atualmente, cerca de 10% dos pedidos de auxílio doença ao INSS são requisitados por indivíduos que apresentaram algum tipo de transtorno mental.

No âmbito organizacional, aproximadamente 25% dos trabalhadores sofrem devido a problemas de saúde mental.

Porém, a maioria não busca ajuda, muito menos relata o fato aos seus superiores. Em caso de necessidade de licença médica, geralmente, escondem dos seus gestores o real motivo do afastamento. Principalmente, devido ao medo do estigma pesado que o portador de transtornos mentais carrega consigo.

Este fato se deve a falta de informação e preconceito em relação às doenças mentais.

Todos devem se lembrar do trágico acontecimento recente, exposto mundialmente pela mídia, onde o piloto alemão, Andreas Lubitz, da Germanwings, derrubou deliberadamente um Airbus A320 matando além de si mesmo, mais 149 pessoas. Durante as investigações sobre o caso, descobriu-se que o piloto vinha fazendo sucessivos tratamentos devido a transtornos mentais, fato este que escondera de seu empregador.

Em pleno século XXI, transtornos como depressão, uso abusivo de drogas, stress e ansiedade, ainda são “tabu” dentro do ambiente profissional. Sendo assim, muitos sofrem calados para evitar uma possível discriminação. E sem a ajuda adequada, o quadro vai se agravando cada vez mais.

Além dos danos à saúde do trabalhador em si, problemas relacionados ao adoecimento da mente também geram prejuízos para a empresa e danos à sociedade.

Brevemente, podemos citar alguns deles:

–  “Absenteísmo” – ausência no trabalho por ocasião de falta ou licença médica devido a algum transtorno mental.

– “Presenteísmo” – o sujeito só está de “corpo presente”, porém, longe das condições ideais para desempenhar suas funções. Pelo contrário, apresenta baixo rendimento e baixa produtividade.

– Risco de acidente de trabalho – certas patologias apresentam como sintoma fadiga, dificuldade de concentração, alteração da percepção e da coordenação motora, diminuição do senso crítico e, em certos casos, perda da capacidade de avaliar situações de risco.

– Influência negativa para as outras pessoas da equipe – algumas patologias apresentam como sintoma mau humor, pessimismo, fatalismo, altos graus de agressividade e intolerância, dificuldades nas relações interpessoais e distanciamento social.

Posto isso, há uma necessidade urgente de se criar dentro das empresas medidas e programas para eliminar esse preconceito infundado em relação à doença mental, dando aos seus colaboradores conhecimento, ferramentas e suporte ao que se refere à saúde mental.

O objetivo deste tipo de ação é diminuir este abismo, informando e orientando as pessoas em relação a esse assunto tão importante à nossa saúde e bem estar. Nela, pretendemos esclarecer alguns questionamentos frequentes que costumam surgir tanto na esfera clínica em consultório quanto nas palestras e treinamentos que ministro pelo território nacional… A depressão é de fato uma doença? É apenas uma “doença de gente rica” como alguns comentam de forma irônica? É tão somente um estado de espírito? É diferente de simplesmente estar triste e desanimado? Tem cura? É possível superá-la e reencontrar a alegria de viver? Como devo proceder quanto identifico algum familiar ou colaborador da minha empresa com um quadro de depressão? Entre tantas outras dúvidas que muita tem, mas que por vergonha ou falta de oportunidade, acabam não sendo esclarecidas.

O maior patrimônio de qualquer organização são as pessoas! Portanto, cuidar destas pessoas é o caminho correto a ser trilhado.

Atenciosamente,

Augusto Goldoni – psicanalista, psicoterapeuta, consultor e escritor.