Perguntas e respostas sobre Saúde Financeira

1. Como o senhor define o termo “educação financeira”?

A “educação financeira” consiste em assimilarmos conceitos básicos necessários para gerenciarmos de forma inteligente e produtiva nossos recursos financeiros, bens materiais e bens “intelectuais”.

A “educação financeira” vai além do conhecimento formal de matérias como economia, por exemplo. Basta lembrar que existem pessoas pós-graduadas em ciências econômicas e matérias afins que são um verdadeiro desastre na gestão de suas finanças pessoais.

Se quisermos ter sucesso no campo financeiro precisamos também, olhar com atenção para os paradigmas internos e modelos mentais que temos a respeito do dinheiro. Tem gente que tem um modelo mental programado para a “pobreza”. Essa pessoa por mais empreendedora que seja, faça cursos sobre administração financeira, tente novas alternativas para aumentar sua renda, quase sempre acabará voltando para o padrão de renda antigo, pois inconscientemente acabam se boicotando…

Portanto, a melhor maneira de melhorar seu padrão de vida é melhorando seu padrão de pensamento!

 

2. Por que educação financeira é importante para as pessoas? No que ela nos afeta?

O indivíduo deve ter como objetivo principal viver de forma plena e saudável. Sendo assim, de que forma a qualidade de vida está diretamente associada à saúde financeira?

Em primeiro lugar, qualidade de vida é ter saúde. E saúde por sua vez é ter equilíbrio nas várias esferas da vida. Segundo a OMS “saúde não é somente a ausência de doenças. Trata-se de um estado completo de bem estar  físico, mental, social, espiritual, intelectual, profissional e financeiro”. 

Concluindo, o aspecto financeiro é um dos pilares básicos da saúde e, consequentemente, da qualidade de vida. Portanto, se as finanças vão mal, a saúde em geral, também padece!

 

3. Esse assunto também pode afetar nosso bem-estar? Como?

Com certeza! Quais seriam os principais problemas de saúde e sociais ligados à falta de dinheiro? Apenas para enumerar alguns destes problemas:

1. Desnutrição: devido à carência de nutrientes em função de uma alimentação precária que também resulta em baixa imunidade e baixa resistência a infecções

2. Moléstias infecto-contagiosas: assim como no caso acima da desnutrição ocorre nas camadas sociais menos favorecidas que vivem muitas vezes em situação de moradia precárias, inclusive em condições sanitárias desumanas.

3. Stress: devido aumento do grau de pressão por conta da crise financeira. O brasileiro coloca os problemas financeiros no topo da lista dos fatores com maior potencial de causar stress.

4. Depressão: a crise no âmbito financeiro também pode desencadear ou agravar alguns aspectos do quadro depressivo como pessimismo, falta de perspectiva, falta de ânimo, tristeza, perda do prazer e interesse pela vida.

5. Auto-estima: a falta de dinheiro também pode afetar a auto-estima do sujeito, ou seja, deixá-lo diminuído perante si mesmo. Principalmente, no caso das pessoas que dão muito importância a opinião dos outros ou que vivem e função de aparências e do status.

6. Crises conjugais: muitos casais acabam brigando e até mesmo se separam pela divergência em relação à administração e aplicação dos recursos financeiros. A pressão financeira faz com que as relações ficam tensas e o conflito eminente. 

7. Isolamento social: por conta da falta de dinheiro e de dívidas atrasadas, muita gente se sente envergonhada e acaba se isolando para evitar constrangimento.

 

4. Geralmente, começamos a ouvir sobre finanças em geral quando já somos adultos e as responsabilidades começam a surgir. Seria importante incluir educação financeira como matéria escolar, como temos, por exemplo, matemática, para já começarmos a pensar no futuro?

Sim, isso seria fundamental. Mas, infelizmente, o planejamento normalmente não está no roteiro do povo brasileiro. Em outras palavras, não faz parte da nossa cultura pensar em termos de prevenção. Seja na área da saúde, seja na área das finanças. 

Ao contrário do que acontece com o povo norte-americano, por exemplo. Nos EUA existe uma matéria chamada “HOMEC” – Home Economics (uma tradução aproximada para o português seria “Economia Doméstica”). Essa matéria é ministrada nos vários níveis educacionais, desde o ensino fundamental, passando pelo colegial até as universidades. Simplificando bastante essa ciência complexa, trata-se de uma série de conhecimentos sobre administração de contas pessoais, aplicação de recursos financeiros, gestão da economia do lar, educação da família, entre outros aspectos. 

Os conhecimentos do Homec não se restringem apenas ao lar. São úteis em todos os setores da vida pessoal e profissional. A intenção é formar desde a base um indivíduo preparado para administrar bem os recursos financeiros de que dispõe e pronto para lidar com as coisas práticas da vida.

Não é à toa que os EUA são o centro da economia mundial. 

Vale enfatizar que se ainda não temos formalizado academicamente esse tipo de conhecimento, cabe aos pais a responsabilidade de transmitir aos seus filhos noções básicas de “economia doméstica” e ensinar-lhes a lidar com o dinheiro de maneira saudável.

 

5. Como a educação financeira afeta também nosso futuro?

Sem dúvida devemos aproveitar bem a vida e curtir o momento presente. Porém, tão importante quanto conquistar um padrão financeiro é conseguir mantê-lo! Hoje você pode ter uma renda que lhe proporcione um bom padrão de vida. Você será capaz de manter esse padrão em um futuro próximo e distante?

Ao longo dos anos muita gente acaba perdendo “poder aquisitivo”, principalmente depois da aposentadoria.

Portanto, quando se fala em educação financeira, é importante pensar em planejamento. Planejar para fazer o dinheiro render no presente e planejar para “garantir” o futuro.

O ideal em termos de aposentaria e tranquilidade futura seria diversificar sua renda em várias modalidades de investimentos – INSS, plano previdência privado, imóveis, aplicações financeiras, ações, entre inúmeras possibilidades – e fazer o dinheiro trabalhar por você com o passar do tempo. Se você quiser continuar trabalhando, ótimo. Mas será apenas por prazer, por uma missão pessoal, não mais por obrigação!

 

Augusto Goldoni – psicanalista, psicoterapeuta, consultor e escritor.